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29/10/2010

Ilhas de diversidade para recuperar a mata ciliar

Muitos trechos das margens do Rio Maquiné são considerados degradados, isto é, sofreram impactos tão graves a ponto de não mais dispor de mecanismos bióticos para retornar naturalmente ao seu estado original - ou, caso conseguissem, seria de forma muito mais lenta do que se poderia esperar. Os problemas econômicos e sociais se intensificaram nas últimas décadas, depois do predomínio de manejos e uso da terra associados à agricultura intensiva, com lavouras invadindo as áreas de proteção permanente (APPs).

 

Uma das principais linhas de ação do projeto da ONG ANAMA, com patrocínio da Petrobras (Programa Petrobras Ambiental) é o reflorestamento de 7,5 ha de mata ciliar. “A meta não é de restaurar o ambiente para que volte a ser exatamente como antes, mas recuperar as funções prioritárias já perdidas: de proteção física das margens do rio, retenção do assoreamento e infiltração pela água das chuvas”, esclarece o biólogo Gabriel Poester, responsável pela tarefa. Os plantios, que começaram em junho, obedecem a um tipo de intervenção que respeita a sucessão ecológica da Mata Atlântica, para acelerar o crescimento de espécies nativas variadas (colonizadoras, pioneiras, secundárias e climáx), até que o ambiente atinja um equilíbrio dinâmico.

A idéia da equipe é formar nesse trecho novamente mata clímax, que significa o ecossistema com suas propriedades de resistência, resiliência, homeostase e auto-perpetuação. O método adotado é o de Ilhas de Alta Diversidade ou Nucleação - estudos mostram como este é o que melhor imita o processo de recuperação natural e, por isso, o que tende a ter resultados mais rápidos.


Gabriel informa que é imprescindível o monitoramento das áreas, com avaliação do crescimento das mudas, das condições ambientais do local e, se preciso, com o replantio das mudas perdidas. Dentre as milhares de espécies nativas da região de Maquiné, existem algumas mais específicas de mata ciliar, por serem adaptadas aos solos úmidos, que recebem água periodicamente, diferente de áreas de encosta ou topo de morro. “Além da questão ecológica, se pensou nos potenciais de uso da mata ciliar para o ser humano. Dentro de um futuro próximo podemos ter, além da conservação, um retorno econômico, já que muitas plantas têm propriedades medicinais, várias espécies são frutíferas, outras melíferas”, diz o biólogo.

As ilhas são núcleos densos de espécies, com espaçamento reduzido, de cerca de 80cm 1m entre as mudas. Elas buscam imitar a forma como o mato vem para cima do campo, que é através de pequenos capões. Há também o posicionamento de espécies pioneiras entre essas ilhas como corredores ecológicos que liguem as mesmas, para que o mato se expanda mais rapidamente e complete a área.

 

Cada ilha, de 4 metros de diâmetro, é formada por 13 indivíduos. A área escolhida é capinada ao redor, quando há capim invasor, e outros procedimentos complementares ao plantio de mudas também estão sendo utilizados: 

 

- Adubação verde - como a maior parte do solo está exposta é necessário fazer uma cobertura herbácea para conter um pouco mais a erosão. Além disso, essa prática fixa nutrientes importantes no solo. Neste inverno, foram semeados 80kg de aveia, o que proporciona mais sombreamento, umidade, matéria orgânica e nutrientes ao solo. São previstos ainda o uso do feijão-guandú [um feijão arbóreo que também tem a finalidade de sombreamento, além de ter uma raíz bem forte] e o feijão de porco. Essas plantas têm a função de fixar o nitrogênio, através de fungos e bactérias que se agregam às suas raízes. 

 

- Implantação de poleiros artificiais - para atrair aves que possam trazer sementes de outros lugares.

 

- Transposição de serrapilheira - em pequena quantidade, para trazer sementes da floresta, matéria-orgânica e micro-organismos do solo. Esses fungos e bactérias têm uma função muito importante na floresta e por isso serão trazidos de fora.

 

- Transposição de galharia - para atrair fauna e com isso sementes e matéria-orgânica para o sistema.

 

- Implantação de barreiras - com capim-elefante e outras espécies semelhantes, para diminuir a velocidade da água quando vem enchente, fazendo uma contenção para reconduzir a água de volta para o rio.

 

- Enriquecimento de capoeiras - em áreas onde elas já existem, colocando espécies com raízes mais fortes.

 

Editado por Coletivo Catarse

 

 

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