Projetos Cursos e Eventos Pesquisas e Publicações Redes e Parcerias

Canal de Videos


Campanhas

 

 

Redes Sociais

Acompanhe-nos no Facebook:

 

facebook Perfil Institucional

 

facebook Taramandahy - Fase II

 

07/12/2010

Alimentacão Escolar de Maquiné aumenta aquisição de produtos locais

 

Clique aqui para assistir o vídeo no You Tube.

 

O acordo estabelecido pela Prefeitura e os agricultores garante, desde o mês de agosto, a entrega para 11 escolas na rede municipal. São 600kg de alimentos por vez, distribuídos em cerca de 50 caixas com produtos frescos. Mariana Ramos, nutricionista da ONG ANAMA, está participando da equipe que faz o meio de campo, recolhendo na roça e levando para as crianças. Essa é uma das ações do projeto  que ela ajuda a coordenar: Agroecologia e Agricultura Familiar, financiado pelo Programa Petrobras Desenvolvimento e Cidadania. Nesta entrevista, detalhes dessas mudanças.

 

O fornecimento de alimentos para a merenda escolar, em todo o Brasil, está passando por transformações há quase um ano. Por que?
Mariana - Com a aprovação da lei 11.947, em junho de 2009, o Brasil passa a regulamentar a sua política de alimentação e nutrição mais antiga – o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Criado em 1955, o PNAE atende hoje cerca de 47milhões de crianças e jovens, sendo destinado a todos os alunos das redes públicas e filantrópicas de ensino no Brasil, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio.

 

A lei institui, dentre outras questões, a obrigatoriedade da compra de no mínimo 30% dos recursos repassados pelo governo federal aos estados e municípios em alimentos produzidos pela agricultura familiar das próprias localidades e regiões. A implementação desta lei e, particularmente, a compulsoriedade da aquisição da agricultura familiar tem promovido muitas reuniões, desafios e aprendizados aqui no município de Maquiné.

 

Para que a agricultura familiar consiga abastecer as escolas, com alimentos de qualidade, com regularidade e compromisso, é preciso todo um processo de organização dos agricultores e de aproximação entre administração pública, escolas, agricultores e entidades que atuam com o desenvolvimento rural. Em Maquiné, estamos nos reunindo e construindo uma experiência de entrega da agricultura familiar desde maio deste ano. Conseguimos realizar a primeira entrega em agosto, de um total de 10 entregas que deverão ser feitas até o final do ano, conforme o contrato estabelecido entre Prefeitura e agricultores familiares em julho.

 

E como foi a recepção dos órgãos públicos?
Mariana - Para se chegar a este contrato e experiência de entrega muitos passos já foram dados e muitos outros vão se apresentando como necessários para que esta proposta se consolide. Por exemplo: como esse é o início de uma nova forma de comprar alimentos para a merenda, muita gente não sabe muito como se deve fazer. Imagine que nutricionistas, responsáveis pelos setores de compra, secretários e outros funcionários das prefeituras estão acostumados a comprar de determinada forma há anos e, de repente, devem adequar-se a uma legislação que exige a construção de uma série de novos conhecimentos.

 

Para quem compra, os desafios passam pelo conhecimento do que sua região produz, a sazonalidade desta produção e como estão organizados os agricultores para, a partir daí, montar sua lista de compras e seu cardápio. Na prática, estamos observando um processo de mudanças nos cardápios escolares, que começam a ofertar em maior quantidade, qualidade e regularidade frutas, hortaliças e tubérculos (como o aipim e batata doce), por serem os produtos que a agricultura familiar mais prontamente tem para oferecer. Tivemos relatos de professoras e merendeiras falando da boa aceitação das crianças e jovens das saladas adquiridas este ano: alface, brócolis, couve-flor, couve, beterraba e repolho. Por mais que algumas escolas ganhassem verduras e frutas de pais de alunos, pois Maquiné é um município essencialmente agrícola, a regularidade e quantidade das hortaliças nunca foi como é possível ser hoje.

 

Agradar o paladar das crianças é um ato de educação.
Mariana - Apostamos que novos consumidores estão sendo formados: crianças que crescerão com o gosto por alimentos de sua região; conhecerão uma diversidade de sabores de frutas, verduras, tubérculos e outros; acompanharão mais de perto os ciclos agrícolas e da natureza nos seus locais de moradia; terão mais e mais respeito e orgulho de serem filhas e filhos de agricultores e agricultoras, que produzem sua merenda – gostosa, fresca e nutritiva.
Apostamos também que as merendeiras aproveitarão os momentos de recebimento dos alimentos para encontrar conhecidos da região; se desafiarão a preparar novas receitas ricas em alimentos frescos; perceberão e serão cada vez mais valorizadas pela importância de seu trabalho na construção de uma geração saudável, inteligente, conhecedora e orgulhosa de sua região. Em uma das reuniões, quando falávamos do planejamento para as compras do ano que vem e lembrávamos do milho verde, uma das professoras logo lembrou da polenta de milho verde, um prato que tem sabor de casa, de família e de memória no município. Quem sabe quantas outras receitas poderão ser resgatadas com a compra de alimentos da região?

 

E os agricultores da região tem produção suficiente? Como vocês estão trabalhando com isso?
Mariana - Pelo lado de quem vende, apoiamos a organização dos agricultores/as. Nos locais onde ainda não existem grupos (associações, cooperativas) de agricultores familiares, a assessoria e parceria de outras instituições é fundamental para que esse processo organizativo e administrativo das compras tenha início. A formação de grupos tem se colocado como um desafio maior para a agricultura familiar em Maquiné e região, e este é um processo que envolve compromisso, aprendizado e relações de confiança e companheirismo, para que a vontade de se estar/trabalhar em grupo seja honesta e duradoura.

 

A oportunidade de vender sua produção localmente, sem a presença de atravessadores pode representar o início da construção de novos mercados e novas perspectivas para a agricultura familiar. Por outro lado, exige também uma série de mudanças na forma de produzir, colher, embalar, entregar, receber o pagamento, emitir a nota fiscal e organizar uma logística de coleta e distribuição dos alimentos, dividindo seus custos.  São muitos aprendizados, sendo o compromisso e a logística de entrega nas escolas um dos desafios atuais do grupo em Maquiné.

 

E qual é o papel da Anama nesse processo?
Mariana - A Ação Nascente Maquiné (ANAMA), associação de caráter ambiental, cultural e educativo que atua em Maquiné e vizinhos desde 1997, tem assessorado o grupo de agricultores desde o início e atualmente assumiu a tarefa de coletar e entregar os alimentos enquanto uma nova solução é construída pelo grupo. Ao longo das reuniões para elaboração do Projeto de Venda, contávamos com uma caminhonete pequena de um dos integrantes, imaginando um volume de entrega menor do que o que realmente terminou sendo solicitado pela Secretaria Municipal de Educação. Passamos então a contar com a kombi da associação para fazer as entregas. Buscamos hoje encontrar juntos outra alternativa viável que represente maior autonomia ao grupo, independente da continuidade do auxílio da ANAMA ou de outras instituições presentes no município: Emater, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Prefeitura. Todavia, o apoio das diferentes entidades aos agricultores é fundamental para que a proposta se consolide e se qualifique cada vez mais.

 

Hoje, trabalhando somente com produtos frescos, há a necessidade de um veículo maior (um caminhão baú pequeno a médio) e de um espaço para o recebimento dos diferentes itens produzidos por cada produtor e separação dos kits que deverão ser entregues em cada uma das escolas. São 11 escolas na rede municipal de Maquiné, em torno de 600kg de alimentos por entrega, distribuídos em cerca de 50 caixas com produtos frescos.

 

Mas as escolas também podem adquir produtos processados?
Mariana - A obrigatoriedade da compra de no mínimo 30% da agricultura familiar tem também apontado a necessidade da compra de itens com maior valor agregado, como processados (sucos e polpas de fruta, pães, bolos e bolachas, chimias, conservas de legumes, farinha de milho, aipim descascado) e grãos (feijão, arroz, ervilha). Há, portanto, grande demanda por alimentos processados pela agricultura familiar e isso aponta para outro conjunto de ações que passam também a ser necessários, envolvendo técnicos da vigilância sanitária, da prefeitura, da extensão rural e os agricultores/as, trabalhando para a regularização das agroindústrias familiares rurais.

 

Adquirir produtos da agroindústria familiar rural representa outro salto de qualidade na Alimentação Escolar. Além da maior oferta de frutas e hortaliças, os cardápios poderão contar com processados que usam ingredientes frescos e naturais e fazem pouco uso de aditivos químicos, como conservantes, aromatizantes, emulsificantes e outros; exatamente o oposto dos produtos industrializados – chimias, bolachas, pães, sucos, conservas – que acabam sendo produzidos com baixa proporção de alimentos frescos e ganham cor, sabor e longa vida de prateleira artificialmente.

 

E os de origem animal?
Mariana - Se formos ainda pensar nos produtos de origem animal, percebemos outro avanço muito significativo. Imagine as crianças tomando leite de boa qualidade novamente, e não mais leites que são muitas vezes reaproveitados inúmeras vezes (fervido e re-fervido) pelos processos industriais de produção do leite de caixinha. Ou então, comendo ovos coloniais, muito mais nutritivos que os de granja de produção em larga escala, com aquela gema colorida e saborosa. Esses produtos (leite, ovos, carnes) são muito utilizados na Alimentação Escolar, mas para serem vendidos pela agricultura familiar precisam ser fiscalizados por algum sistema de inspeção, cujo primeiro nível, mais adequado para pequenos empreendimentos, é o S.I.M (Serviço de Inspeção Municipal) que ainda não foi instituído no município de Maquiné.

 

É um caminho longo ainda.
Mariana - Estamos construindo uma forma de fazer acontecer o que a lei 11.947/2009 exige: a compra de no mínimo 30% de alimentos produzidos pela Agricultura Familiar para a Alimentação Escolar.  Com o interesse da Secretaria Municipal de Educação e da direção das escolas estaduais presentes no município, acreditamos que esse é apenas um primeiro passo de uma caminhada que tende a crescer e amadurecer, fortalecendo o lado de quem compra e aquele de quem vende e indo na direção de cardápios escolares cada vez mais saudáveis, com alimentos frescos e locais, promovendo o desenvolvimento da própria localidade e região e fortalecendo o orgulho de sermos um município formado majoritariamente por famílias de agricultores.

 

Editado por Coletivo Catarse

 

 

:: VOLTAR PARA LISTA GERAL DE NOTÍCIAS

 

 

Ong ANAMA - RS - BRASIL| Todos os direitos reservados
   

Quem Somos

Área de Atuação
Onde Estamos
Equipe de Trabalho
Prêmios e Reconhecimentos

A Mata Atlântica

Localização
Ecossistemas
Relevância
Importância de Maquiné

Galeria de Fotos
Notícias
Contato
Mapa do Site
 

Ong Anama

 

contato@onganama.org.br
         

Criação e desenvolvimento: STA Studio | Hospedado por Median Host