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29.11.2010
Trabalho de campo em áreas demonstrativas

O que é Agrofloresta? Esta dúvida é bastante comum quando se ouve falar nesse conceito. Lauro Bonho, agricultor que vem acompanhando as atividades do projeto disse: 'Imaginava que agrofloresta fosse o plantio de árvores para que depois não fosse mais aproveitada a área, nem com o uso das árvores plantadas'- após a participação em um Curso sobre Manejo de Agroflorestas.
Buscando esclarecer sobre o tema e encorajar agricultores as práticas, realizou-se um curso em quatro módulos que aconteceram entre junho e setembro, envolvendo agricultores, técnicos da Emater e da Secretaria do Meio Ambiente-SEMA, dos municípios de Itati, Terra de Arreia, Osório e Maquiné.
Após esse programação inicial foram realizados dois dias de campo, com atividades práticas na implantação de sistemas agroflorestais, que contaram com a assessoria de Ernest Götsh, uma das referências neste tema. Ele implanta agroflorestas há 36 anos em sua propriedade, no sul da Bahia, e assessora iniciativas em diferentes locais do Brasil.
Nestes encontros, realizados em propriedades de famílias que vem desenvolvendo áreas demonstrativas, foram elaborados diagnósticos e propostas de manejo em pomares de citros, na implantação de bananal e roça. O objetivo foi de melhorar a qualidade do solo e a saúde dos cultivos, diversificar a produção e reduzir tanto a mão de obra, a médio prazo, quanto a necessidade de adubos e agrotóxicos.
Respeitando o tempo da natureza
Quando uma área de roça é deixada em pousio, observa-se que a vegetação muda com o passar do tempo. Os capins costumam ser os primeiros a aparecerem, as samambaias e as vassouras depois e, alguns anos mais adiante, a vegetação da área já está formada por árvores mais altas como a embaúba, camboatá, ingá ou canjerana. Estas etapas de substituição das plantas chamamos de Sucessão Vegetal. As agroflorestas procuram imitar este fenômeno natural, mas adaptado para a agricultura. Cabe ao agricultor escolher espécies de plantas que mais se adaptem à área que pretende plantar. Porém, ao implantar uma roça dessas há que ocupar o solo ao máximo possível, não só por plantas destinadas à produção, mas também por espécies que servirão à adubação da própria área. Esta mesma lógica é usada para pomares e bananal, onde é permitido o desenvolvimento de árvores que se desenvolvem e são podadas com frequência, alimentando o solo com matéria orgânica. Nestes casos a roçada e a poda são práticas de manejo mais usadas. Esta lógica é reproduzida ano após ano e o resultado pode ser percebido quando o solo começa a melhorar, se alcança estabilidade e variabilidade na produção, com o ganho de poder abolir com o uso de adubos químicos e agrotóxicos.
Editado por Coletivo Catarse
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