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Vender os próprios produtos com boas práticas de fabricação

Publicada em 18.08.2010

Frutas transformadas em chimias, geléias, sucos e polpas. De verduras frescas são preparadas conservas. O leite é processado na forma de queijo, nata, doce de leite, coalhada, manteiga, puína. Animais são abatidos para a produção de embutidos, defumados e outros produtos com durabilidade. São receitas antigas dos agricultores para prolongar a disponibilidade dos alimentos e ter diversidade na dieta durante todo ano.

Nas últimas duas décadas, a tradição se transformou em bons negócios, agregou valor à produção agropecuária e aumentou a renda das famílias que conseguiram instalar pequenas unidades industriais em suas propriedades. Agora, são os produtos ecológicos que abrem novas frentes de comercialização, atendendo consumidores das cidades interessados em alimentos de qualidade.

Porém, a decisão de vender para fora impõe à famiília legalizar a agroindústria. São vários passos até se alcançar a regularização, com necessidade de investimentos financeiros e orientação técnica nas áreas tributária, sanitária e ambiental. Essas exigências são chamadas de Boas Práticas de Fabricação [BPF] e devem ser seguidas desde a produção das matérias-primas até a processamento final para garantir a qualidade dos produtos e a saúde do consumidor.

"Apoiar esse processo é tarefa de todos que trabalham na assessoria à agricultura familiar. Com o patrocínio do Programa Petrobras Desenvolvimento e Cidadania, será possível implementar um Manual de Boas Práticas de Fabricação que atenda às características da agricultura de nossa região. Ele é um dos documentos necessários para a legalização sanitária dos empreendimentos. Faremos o trabalho utilizando um sistema participativo entre as famílias que acompanharem as atividades do projeto Agricultura Familiar e Agroecologia", comenta Mariana, nutricionista do projeto.

Nesse primeiro trimestre, a Anama começou o Curso de Boas Práticas de Fabricação. A primeira etapa ocorreu no dia 21 de junho, no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Maquiné e teve a participação de vinte pessoas, entre agricultoras e técnicas/os. A ministrante foi a engenheira de alimentos Fabiana Thomé da Cruz, que desenvolveu seu mestrado em Agroecossistemas, na Universidade Federal de Santa Catarina, discutindo o tema da implantação participativa das Boas Práticas de Fabricação.

"Os produtos que são feitos pela agricultura familiar têm atributos gastronômicos, culturais e sociais que superam os industrializados, principalmente no sabor, que lembra o da comida caseira. E para valorizar mais a venda desses produtos, é necessário garantir qualidade sanitária pela adoção de procedimentos de higiene ao longo de todo o processamento do alimento, seja numa agroindústria ou ainda na cozinha de casa", frisou Fabiana.

O próximo encontro está programado para acontecer em uma agroindústria de panificados de Maquiné.

Editado por Coletivo Catarse

 

 

   
 
 

 
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