Publicada em 18.08.2010
Oito áreas demostrativas, em propriedades do Litoral Norte, servirão para promoção e desenvolvimento de práticas agroecológicas durante o projeto patrocinado pelo Programa Desenvolvimento e Cidadania da Petrobras. A equipe da Anama irá assessorar os agricultores que participarem das atividades a encontrarem as melhores técnicas que auxiliem na transição para cultivos livre de agrotóxicos e adubos industrializados. É uma forma de fazer agricultura que observa as relações entre os seres vivos.

Algumas propriedades já estão aplicando adubação verde para melhoramento e conservação dos solos em cultivos de hortaliças, aipim, roças de milho, pomar de citros e videira. O uso de adubação verde recupera os solos, melhora o crescimento das plantas, e a manutenção da cobertura pode ainda eliminar o uso da capina e de dessecantes químicos. O projeto também estimula a produção de biofertilizantes. Os fermentados tem a função de nutrir as plantas e aumentar as defesas contra insetos que atacam folhas, frutos e raízes. O uso frequente contribui para aumentar a estabilidade da produção e recuperação das plantas após momentos de situações extremas de frio, calor e chuva.
"A fertilidade dos solos é o que sustenta a produção agrícola. Ao nutrir as áreas de lavoura, aumenta a vida que existe na terra, que transforma os adubos orgânicos em nutrientes que serão absorvidos pelas plantas. Em geral, as plantas se desenvolvem mais saudáveis, são mais resistentes a doenças e ao ataque de insetos. Compostagem de resíduos vegetais, esterco bovino, de suíno e aves, adubações verdes são alguns exemplos", explica Gustavo Martins.
As técnica utilizadas na agroecologia são melhor aproveitadas em plantios de áreas diversificadas, também conhecidas como consórcios ou policultivos. Tentando imitar o que acontece na natureza, o agricultor opta por não plantar só um cultivo em grande escala e tampouco plantar na mesma área todos os anos. "Sabendo quais plantas são companheiras, a diversidade trás dois benefícios importantes: a estabilidade na produção, devido a redução de problemas, já que são resolvidos em suas causas e não nas consequência; e aumenta a estabilidade da família, que por ter maior variedade de alimentos e garantia de produção em safras que o clima não ajuda para cultivos específicos", destaca Luciano Gutterres.

Adubação com feijão de porco
Algumas famílias acompanhadas pelo projeto vem testando o feijão de porco em áreas de roça e pomares, e multiplicando sementes. De nome científico Canavalia ensiformis, é uma espécie da família dos feijões - plantas leguminosas.
Muito utilizado para a cobertura do solo, o plantio contribui para incorporação de matéria orgânica e ciclagem no solo de nutrientes como Nitrogênio (N), Fósforo (P), Potássio (K), Magnésio (Mg) e Cálcio (Ca). Estudos indicam que suas sementes moídas incorporadas no solo controlam o aparecimento de nematóides nas raízes do tomateiro, também é recomendado contra plantas invasoras, em especial a tiririca, e seus efeitos positivos no rendimento e qualidade são encontrados no cultivo da batata doce - neste caso, a massa verde deve ser incorporada nas leiras, pelo menos 15 dias antes do plantio das ramas.
Vantagens
O feijãode porco tem porte ereto e raízes profundas que chegam a alcançar até 10 metros, por isso é resistente à seca. É semeado a partir de setembro e desenvolve-se ao longo do verão. Para cobertura e melhoramento do solos recomenda-se o plantio de cerca de 120 Kg de sementes por hectar para plantio solteiro. O plantio é feito com espaçamento de 50 cm entre as linhas e de 5 a 8 sementes por metro. Pode produzir até 1200 Kg de sementes por ha.
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Editado por Coletivo Catarse
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